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Conta com a gente


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 A história desta história

 

 Sempre perguntam se tenho um livro preferido. Eu respondo que todos são como filhos, que a gente gosta do mesmo jeito. É verdade, mas tenho especial carinho por Conta com a gente. Em parte por ser o livro que me deu mais trabalho, em parte porque ele fala de perto sobre minha vida.

Eu fui jovem nos anos 1970, década rica em acontecimentos no Brasil e no mundo. Quis contar essa história às novas gerações. Falar de pessoas, fatos, comportamentos. Dos hippies; de quem lutou contra a ditadura; da entrada da mulher no mercado de trabalho; dos que apostavam no Brasil do “milagre econômico”. Para facilitar a compreensão, representei cada “tribo” num “galho” da família de Anaí, a narradora de 17 anos. Ela rememora a vida dos pais, tios e avós, como se costurasse uma colcha de retalhos (patchwork em inglês). Anaí é filha de pais separados, que casaram de novo e tiveram outros filhos, criando uma teia de relações familiares complicada, mas também rica (depende do ponto de vista). Creio que o que une famílias como a dela -- e a minha -- não são os laços de sangue, e sim os de afeto e solidariedade, expressos nas palavras: “Conta com a gente”, “Conta comigo”.

Para ilustrar o livro, Décio Navarro utilizou fotos de nossas famílias. Minhas filhas e meu sobrinho Thiago, quando eram pequenos, estão na página 73; a garota que representa Anaí (página 134) é minha filha Ana Carolina, com 16 anos. Eu mesma estou na capa e na página 125. Meus tios Luvercy, já falecido, e Wanda, emprestam suas imagens aos avós Berta e Ernesto (página 31 e outras).

Décio imprimiu as fotos em tecido (silkscreen), depois fotografou os retalhos. Para a capa, ele costurou os retalhos nas costas da jaqueta jeans de sua filha Maíra. Sua idéia era mostrar “a família que Anaí leva nas costas”. Todos nós carregamos uma família nas costas, não é verdade?

Como Jamila, eu tive um “filho americano”, o Roger, que inspirou a personagem Mark. A ele, sua mulher e filhos, dediquei este livro. Na época em que o escrevi, ainda não sabia que minha filha Gabriela iria fazer o caminho inverso: casou-se com o americano Michael e hoje mora nos Estados Unidos.

 


 

DZ3.

© Todos os direitos Reservados. Isabel Vieira.2008