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A balada da lua azul


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 A história desta história

 

Quando a editora Salesiana me pediu um livro sobre eutanásia, lembrei logo do padre Leo Pessini. Ele era o capelão do Hospital das Clínicas, de São Paulo, nos anos 1980, e orientava os voluntários que visitavam os pacientes internados para levar-lhes conforto e calor. Eu fazia parte do grupo. Padre Leo defendia a humanização do hospital, o tratamento digno aos doentes. Duas décadas antes de a eutanásia se tornar uma polêmica, padre Leo tratou do tema em sua dissertação de mestrado (Eutanásia e América Latina, ed. Alfonsianum) e em sua tese de doutorado (Distanásia – Até onde prolongar a vida ?, edições Loyola). 

O que é eutanásia? A confusão começa no termo. Alguns acreditam que é dar uma injeção letal no doente para que ele morra logo, mas estão enganados. Esse procedimento é o suicídio assistido. No sentido original, eutanásia quer dizer “morte boa, sem sofrimento”. Mas o que significa “morte boa” numa época em que o progresso científico gerou a distanásia – o prolongamento artificial da vida (tubos, aparelhos, sondas) --, fazendo com que a pessoa, às vezes, tenha uma vida sem qualidade nenhuma? 

O questionamento sobre esses excessos trouxe um novo conceito, a ortotanásia, que seria a morte na hora certa, sem prolongar nem abreviar a vida. A ortotanásia já é  legalmente permitida no Brasil. Se o médico  e a família do paciente concordarem, podem optar por não prolongar a vida dele. Em vez disso, garantir apenas que ele não sofra dores e que receba assistência emocional e espiritual (cuidados paliativos). 

Porém, na prática, a  teoria não é tão simples. O que fazer se o seu amigo sofreu um acidente terrível e jaz inconsciente numa Unidade de Terapia Intensiva, sem chances de sair da situação? Ainda mais que,  quando saudável, ele participava de uma comunidade do Orkut favorável a abreviar a vida dos doentes incuráveis? 

Situei esse personagem -- Tito --, em Natal (RN), por ser a capital onde moro desde 2005. Foi uma forma de mostrar um pouco dos cenários físicos e humanos da cidade que me recebeu com amizade e carinho. Agradeço a todos os amigos-cicerones que me conduziram pelo mundo das raves e dos hospitais, especialmente à enfermeira Érida Leite, amiga super querida que me apresentou às pessoas certas e me forneceu as chaves para escrever este livro.


 


 

DZ3.

© Todos os direitos Reservados. Isabel Vieira.2008