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O último curumim


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A história desta história

 

A história de Tarek nasceu de uma notícia que li no jornal. Anos atrás, um índio adulto foi encontrado por uma família de agricultores de Goiás andando, perdido, pelas roças. Eles o levaram para casa e chamaram a Funai, a Fundação Nacional do Índio, para ajudá-lo. Mas os sertanistas não conseguiam comunicar-se com o índio em nenhum idioma. Depois de muitas peripécias, descobriram que ele era um dos raros sobreviventes da tribo dos Avás-canoeiros, quase extinta. E conseguiram reconduzi-lo ao seu povo.

Aquilo me impressionou demais. “Como deve se sentir alguém cuja língua ninguém fala?”, pensei. Lembrei do E.T., o extraterrestre criado pelo cineasta americano Steven Spielberg, que até hoje comove multidões pelo mundo afora. E.T. também não falava a língua das crianças que o encontraram. Só que, no cinema, ninguém pôs em dúvida o direito de o simpático monstrinho ser diferente. Todos queriam auxilia-lo a voltar para casa. Por que não tratamos nossos índios com o mesmo respeito? Por que, no caso deles, a maioria das pessoas associa diferente com inferior?

A tribo dos Ubás, a que pertence Tarek, é fictícia. Mas tem elementos de várias das mais de 200 nações indígenas do Brasil. (Quando Cabral chegou à Bahia, tínhamos 5 milhões de índios. Hoje, eles são cerca de 300 mil). A antropóloga Carmen Junqueira me ajudou na caracterização das personagens. As palavras que Tarek fala na história foram inventadas com base em dicionários de tupi-guarani.


 

DZ3.

© Todos os direitos Reservados. Isabel Vieira.2008