A história desta história
Você foi adotada? Tem irmãos ou filhos adotivos? Por que escolheu escrever sobre adoção?
Por enquanto, não há casos de adoção na minha família. Tenho três irmãos, três filhas e quatro netos, todos biológicos. Em busca de mim surgiu de uma matéria que editei em Capricho, onde trabalhei de 1984 a 1988. Eu era redatora-chefe e a Patrícia Broggi (a quem dedico o livro) era uma das repórteres. Um dia, eu lhe pedi depoimentos de adolescentes adotados. Ela trouxe vários, e eles me emocionaram.
O que os depoimentos diziam?
Apesar de estarem felizes com as famílias adotivas, todos os jovens queriam conhecer melhor sua origem, saber sobre seus pais biológicos. O mesmo aconteceu com uma amiga que foi adotada. Ela soube da verdade aos 16 anos e só a aceitou totalmente depois de procurar sua família biológica. Foi assim que o Bruno nasceu na minha cabeça. Comecei a buscar razões para o seu abandono e não precisei ir longe: minha experiência jornalística e de vida foram me dando as pistas.
O que você quer dizer com isso?
Todas as cenas de enchentes em São Paulo foram inspiradas em casos verdadeiros, que eu cobri como repórter do Jornal da Tarde, em 1982 e 1983 (leia as matérias Sem teto/A pequena Graciene, morta e Depois do dia infernal). Já Tia Marta e sua escola vêm de quando minhas filhas eram pequenas. Na escolinha maternal que elas freqüentaram, alguns bebês foram abandonados, e acabaram sendo adotados por pessoas conhecidas . Isso me marcou demais.
Então a história do Bruno é verdadeira?
Não, mas poderia ser, pois ela se baseia em fatos reais. Histórias são ficções, isto é, invenções humanas. Só consigo criar, porém, a partir de fatos tirados da realidade, que aconteceram ou poderiam um dia acontecer.
Em quanto tempo escreveu Em busca de mim?
Em cerca de dois meses.
DZ3.
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